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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

A parada de Angra I


Usina nuclear Angra 1

A usina nuclear Angra 1 foi desligada do Sistema Interligado Nacional no último Sábado, 05 de Janeiro, para reabastecimento, troca da tampa do reator e inspeção e manutenção de equipamentos e componentes.

Angra 1, inaugurada em 1975, produz 640 megawatts (MW) de energia, o que corresponde a cerca de 1% da geração nacional. Embora em meio ao problema dos baixos níveis dos reservatórios das hidrelétricas, o desligamento da usina de Angra 1 já havia sido previamente acordado com o Operador Nacional do Sistema.

Paradas programadas como esta acontecem a cada 12 meses, aproximadamente, e duram cerca de 35 dias. Esta parada, no entanto, será mais longa que o normal - a previsão é de 56 dias - devido à troca da tampa do reator.


TROCA DA TAMPA DO REATOR

A tampa serve para fechar o vaso do reator (dentro do qual ficam os elementos combustíveis) e é uma das barreiras contra a liberação de radiação para fora do reator. É uma peça grande (cerca de 3 metros e meio de diâmetro interno) e pesada (40 toneladas), feita de uma liga metálica muito usada na década de1970: o Inconel 600. Sabe-se hoje, no entanto, que essa liga pode sofrer corrosão sob tensão e, para evitar problemas no longo prazo, a Eletronuclear resolveu fazer a troca preventiva da tampa. A animação a seguir explica como será feita essa troca.


 
REABASTECIMENTO DO COMBUSTÍVEL

As paradas programadas da usina são importantes para, dentre outras coisas, aproveitar melhor o combustível nuclear. Em cada recarga, troca-se cerca de um terço dos elementos combustíveis do vaso do reator: Angra 1 tem 121 elementos combustíveis dos quais 40 serão substituídos por novos.

Isso porque dentro do reator nuclear, o combustível "queima" de forma desigual: os elementos combustíveis localizados no centro do reator sofrem mais fissões (ou seja, "queimam" mais) que os elementos da periferia do núcleo. É por isso que trocando-se uma parte dos combustíveis queimados por novos e remanejando os demais, consegue-se aproveitar mais o combustível que não "queimou" tudo o que podia ainda.

O combustível trocado é transferido para a piscina de combustível usado localizada no prédio do próprio reator. O vídeo a seguir mostra como é feita a troca do combustível de Angra 1.






CUSTOS E MÃO-DE-OBRA

O custo das paradas da usina Angra 1, correspondente às despesas com pessoal, serviços contratados, equipamentos substituídos e número de dias de paralisação, varia dependendo dos serviços específicos programados para cada uma delas. Segundo a Eletronuclear, os valores das cinco últimas paradas de Angra 1 foram da ordem de R$ 30 milhões a R$ 40 milhões (sem contar a recarga de combustível). Já para a troca da tampa do reator nesse ano, o valor total do investimento é de US$ 27 milhões, englobando a aquisição e a instalação da tampa nova e o armazenamento da antiga.

Foram contratadas firmas nacionais e estrangeiras que irão disponibilizar trabalhadores temporários para dar suporte aos profissionais da Eletronuclear. Durante a fase crítica do projeto, até 1.500 trabalhadores estarão envolvidos na realização das atividades planejadas para o período.


Para saber mais

Eletrobras Eletronuclear inicia operação de substituição da tampa do reator de Angra 1


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quinta-feira, 7 de junho de 2012

2º Festival Internacional de Filmes sobre Energia Nuclear

O 2º Festival Internacional de Filmes sobre Energia Nuclear, Urânio em Movi(e)mento, começa 6 dias após a Cúpula da Terra (Rio + 20), na Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, MAM.

Entre 28 de junho e 13 de julho, o Festival vai exibir mais de 50 filmes de todos os continentes, sobre energia nuclear e radioatividade. A programação completa do festival já pode ser acessada no site.

Depois do Rio de Janeiro, o festival viaja para outras cidades do Brasil e do Mundo, mas as datas e cidades ainda não foram divulgadas.

O festival foi criado em 2010 no Rio de Janeiro e é o primeiro festival mundial de filmes independentes sobre a temática nuclear. Ele é realizado pelo Arquivo Amarelo, organização cultural sem fins lucrativos, sediada no Rio de Janeiro, que tem como projeto criar a primeira cinemateca do Brasil e da América Latina especializada em assuntos nucleares.

Até o momento, a maioria dos documentários sobre isso tem sido produzido por países não lusofônicos, geralmente em inglês, alemão ou francês. O Arquivo Amarelo traduz estes filmes para a língua portuguesa e também traduz as produções lusofônicas para outras línguas.

O Festival premia, com o Yellow Oscar, os filmes inscritos que se destacaram. Nesse ano foram nomeados oito filmes, representando oito países, em três categorias: Melhor Curta (até 40 min), Melhor Longa (a partir de 41 min) e Melhor Animação. Um júri oficial irá escolhear os vencedores e a premiação ocorrerá no dia 14 de Julho.


Informações gerais:

Quando: De 28 de junho a 14 de julho de 2012

Onde: Cinemateca do Museu de Arte Moderna doRio de Janeiro
Av Infante Dom Henrique, 85
Parque do Flamengo
Rio de Janeiro - RJ

Quanto: R$ 5,00 a entrada inteira e R$ 2,00 para os maiores de 60 anos e estudantes maiores de 12 anos

Site: http://www.uraniofestival.org/index.php/pt/



Embora a proposta de reunir filmes com a temática nuclear em um único festival seja muito interessante, cabe uma ressalva: os filmes selecionados para o festival desse ano retratam apenas aspectos negativos da energia nuclear e da radioatividade.

O próprio festival, no entanto, abre espaço para os aspectos positivos das tecnologias nucleares, tais como medicina nuclear e irradiação de alimentos. Mas acho que os cineastas nucleares independentes não querem falar disso...

De qualquer forma, esse deve ser um evento bastante interessante. Veja o video convite:




Para saber mais

Segundo Festival Internacional de Filmes sobre Energia Nuclear

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domingo, 13 de maio de 2012

A energia nuclear na revista Estudos Avançados

Às vésperas da conferência Rio+20, o Instituto de Estudos Avançados da USP lançou, na última sexta-feira, o número 74 de sua revista cujo o tema é "Sustentabilidade".

Com uma seção destinada à energia, quatro dos seis textos "discutem" a questão da energia nuclear. Na verdade, nas palavras do editorial, os textos revelam que "a hipótese da suficiência de nossas fontes é alentadora e alimenta a esperança de que é possível evitar o risco desnecessário de explorar a energia nuclear" (!).

Sim, caro leitor, todos os quatro textos que tratam do assunto são contra a energia nuclear! É interessante notar que isso reflete a opinião do editor da revista, o Dr. Alfredo Bosi, professor da Faculdade de Filosofia Letras e Ciências Humanas da USP e membro da Coalizão Brasileira contra as Usinas Nucleares. Ele já teve um texto comentado por mim aqui no blog.

Textos que eu não recomendo

O texto Repensando a energia nuclear, do ambientalista Benjamin Sovacool, fala especificamente do contexto norte-americano. Um trecho desse texto já foi comentado aqui no blog. Cuidado com esse texto, caro leitor: ele é falacioso!

O artigo Os deletérios impactos da crise nuclear no Japão, é uma confusão danada! Embora o título (e o resumo) referem-se ao acidente de Fukushima, o texto em si fala sobre aspectos negativos gerais da energia nuclear. Até que o texto começa bem, falando dos efeitos de certos produtos de fissão à saúde e ao meio ambiente. Mas depois, fala sobre as vítimas da bomba atômica e as compara às de Fukushima (!). O texto finaliza com o "sempre perigoso lixo atômico"...

Textos interessantes

A entrevista com o físico Bernard Laplonche, Qual energia desejamos para o futuro?, trata principalmente da situação da França, país cuja matriz energética é prioritariamente nuclear. É uma entrevista interessante já que Laplonche iniciou sua carreira na área nuclear, mas depois mudou de opinião sobre o uso dessa forma de energia.

Por fim, o artigo O espaço da energia nuclear no Brasil, de Joaquim Francisco de Carvalho, também é uma leitura interessante. Ele fala sobre a história da energia nuclear e suas aplicações no País, defendendo a ideia de que o Brasil pode atender sua demanda por eletricidade sem energia nuclear. O artigo analisa também os argumentos comuns na imprensa, a favor e contrários às centrais nucleares, bem como alguns aspectos comerciais e políticos do problema.

A revista Estudos Avançados está disponível integralmente na Scielo. Boa leitura!


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domingo, 22 de janeiro de 2012

Top 9 mitos sobre energia nuclear

Fonte: Site da American Nuclear Society
Traduzido e adaptado por Pamela Piovezan.

Vários mitos cercam o tema "energia nuclear". Para ajudar a esclarecer alguns desses mitos, a American Nuclear Society, uma organização internacional com cerca de 11.000 membros da área nuclear entre cientistas, engenheiros, educadores e estudantes, preparou uma lista dos 10 mitos mais famosos nos Estados Unidos.

Como isso foi feito antes do acidente de Fukushima, traduzi e adaptei esse material para incluir algumas das consequências do acidente. Claro que cada um dos mitos, por si só, daria um texto imenso sobre o assunto. Por isso, lembre-se, esse post é apenas uma visão geral. Alguns dos temas já apareceram em outros posts aqui do blog e estão indicados no final desse post.


Mito #1. As pessoas recebem a maior parte da dose anual de radiação dos reatores nucleares.

Fato: Nós estamos cercados por radiação natural. No solo, nos alimentos e até no ar que respiramos existem elementos radioativos. No caso dos Estados Unidos, o país com o maior número de reatores nucleares do mundo, apenas 0,005% da dose média anual de radiação recebida pelas pessoas vem dos reatores nucleares. Essa dose é 100 vezes menor que aquela liberada na queima do carvão mineral pelas termoelétricas (devido a traços de Urânio, Bário, Tório e Potássio radioativos presentes nas cinzas) [1], 200 vezes menor que a que recebemos em um vôo transatlântico (devido aos raios cósmicos) e equivalente àquela que ingerimos ao comer uma banana por ano (devido ao Potássio-40) [2].

Mito #2: Um reator nuclear pode explodir como uma bomba nuclear.

Fato:É impossível que um reator exploda como uma bomba nuclear. Isso porque as bombas contêm materiais especias em configurações particulares que visam à explosão nuclear. Os reatores nucleares são projetados para que, mesmo no caso dos acidentes mais sérios, a reação em cadeia não se torne descontrolada por tempo suficiente para causar uma explosão nuclear. No caso do acidente de Fukushima, por exemplo, a explosão do prédio do reator foi ocasionada por uma reação química e não pela fissão nuclear descontrolada, como nas bombas atômicas.

Mito #3: A energia nuclear é prejudicial ao meio ambiente.

Fato: Reatores nucleares não emitem gases do efeito estufa durante sua operação. Durante toda a vida útil das usinas, a emissão total de gases do efeito estufa (nas fases de construção, do ciclo do combustível e do desaparelhamento da usina) é comparável à emissão de fontes renováveis de energia como a solar e a eólica [3]. Além disso, as usinas nucleares ocupam uma área menor de solo que as demais fontes energéticas para gerar a mesma quantidade de energia.

Mito #4: Energia nuclear não é segura.

Fato: Energia nuclear é  tão ou mais segura que qualquer outra forma de geração de energia disponível. Nos 50 anos de história das plantas comerciais dos Estados Unidos, por exemplo, nenhum membro do público foi machucado ou morto devido aos reatores nucleares. Um estudo de 2010 da Nuclear Energy Agency [4] compara o número de acidentes e mortos associados às diferentes formas de geração de energia (incluindo toda a cadeia energética). Entre 1969 e 2000, as termoelétricas a carvão ocasionaram, nos países não-membros da OECD (isto é, países em desenvolvimento e subdesenvolvidos), 1.044 acidentes com 18.017 mortes. As hidrelétricas causaram, no mesmo período, 10 acidentes com 29.924 fatalidades. Já a indústria nucleoelétrica resultou em 1 acidente (o de Chernobil) com cerca de 31 mortes imediatas.

Mito #5: Não existe nenhuma solução para a grande quantidade de lixo nuclear que está sendo gerado.

Fato: Todo o combustível nuclear usado nas usinas do mundo todo nos últimos 50 anos encheria um campo de futebol com uma altura menor que 10 metros! E mais, cerca de 95% desse "lixo" pode ser reciclado! [5]. A solução defendida pela comunidade científica internacional para o depósito final dos combustíveis usados são os repositórios geológicos nos quais o material radioativo ficaria armazenado indefinidamente [6]. Países que tem seus programas nucleares em estágio avançado já se ocupam da construção desses repositórios. A França e o Canadá, por exemplo, prevêem a operação de seus repositórios geológicos para 2025. Os Estados Unidos já têm um repositório pronto para receber os combustíveis usados em Yucca Mountain (Nevada). Entretanto, o país vive hoje um impasse político nessa questão e ainda não há autorização legal para seu funcionamento.

Mito #6: A maioria dos norte-americanos não apóiam a energia nuclear.

Fato: Em pesquisas de opinião realizadas em 2009 (e, portanto, antes de Fukushima), cerca de 70% dos norte-americanos apoiavam a energia nuclear [7]. Além disso, 84% dos americanos viam a energia nuclear como uma importante fonte de eletricidade para o futuro e 70% aceitariam um novo reator nas instalações da planta nuclear mais próxima. Seis meses após o acidente de Fukushima, cerca de 62% dos norte-americanos apoiavam a energia nuclear [8]. Além disso, 59% dos americanos apoiam a construção de novas usinas nucleares ecerca de 67% aceitariam um novo reator nas instalações da planta nuclear mais próxima.

Mito # 7: Um "Chernobil" brasileiro mataria milhares de pessoas.

Fato: Um acidente do tipo Chernobil não poderia ocorrer no Brasil porque esse tipo de reator nunca foi construído ou operado aqui. As fatalidades durante o acidente de Chernobil ocorreram nos profissionais que tomaram as ações de mitigação imediata do acidente [9]. No público que recebeu altas doses de radiação, o aumento da incidência de câncer é muito pequeno para ser medido (e associado exclusivamente à radiação) quando comparado às outras causas possíveis de câncer, tais como poluição do ar ou uso de cigarros.

Mito #8: O lixo radioativo não pode ser transportado de forma segura.

Fato: O combustível usado vem sendo transportado de forma segura nos Estados Unidos por caminhões, trens e navios cargueiros em cascos especialmente feitos pra isso. Estes cascos são testados contra vários tipos de batidas e incêndios, sobrevivendo intactos, sem liberar radioatividade. Milhares de cargas já foram transportadas sem vazamentos ou fraturas em tais cascos [10].

"Crash test" com uma locomotiva de um casco para transporte de material radioativo. O casco (vermelho) permanece inteiro após o impacto. Fonte: The Canadian Nuclear FAQ.

Mito #9: O combustível nuclear usado é mortal por 10.000 anos.

Fato: O combustível nuclear usado pode ser reciclado para fazer novos combustíveis ou subprodutos [11]. A maior parte dos rejeitos produzidos neste processo requer um tempo de armazenamento menor que 300 anos para que a atividade caia até níveis não prejudiciais à saúde. Menos de 1% desses rejeitos são radioativos por 10.000 anos e precisam ser armazenados indefinidamente (nos depósitos geológicos, por exemplo).


Para saber mais:

[1] National Council on Radiation Protection and Measurements No. 92 and 95.
[2] CDR Handbook on Radiation Measurement and Protection.
[3] P.J. Meier, "Life-Cycle Assessment of Electricity Generation Systems and Applications for Climate Change Policy Analysis," 2002.
[4] Comparing Nuclear Accident Risks with Those from Other Energy Sources, NEA, 2010.
[5] K.S. Krane, Introductory Nuclear Physics, John Wiley and Sons, 1988.
[6] Progress Towards Geologic Disposal of Radioactive Waste: Where do We Stand?, Nuclear Energy Agency, OECD report, 1999.
[7] Perspectives on Public Opinion, NEI publication, June 2008.
[8] Latest Trends in U.S. Public Opinion About Nuclear Energy, NEI, Sept. 2011.
[9] Chernobyl Forum reports 20-year findings, offers recommendations, Nuclear News, Oct-05.
[10] DOE Fact Shee.
[11] K.S. Krane, Introductory Nuclear Physics, John Wiley and Sons, 1988.

The Nuclear Energu Opinion, Bernard Cohen, 1990.


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Palestra na rede: "Acidente nuclear no Japão"

domingo, 4 de dezembro de 2011

Os desdobramentos do acidente de Fukushima no setor nuclear no mundo todo

Fonte: Site da Eletronuclear

Já está disponível a edição de novembro do Panorama da Energia Nuclear no Mundo, publicação da Gerência de Planejamento Estratégico da Eletrobras Eletronuclear. O informativo traz atualizações sobre o acidente de Fukushima e comenta os efeitos do episódio em países como os EUA, que está em processo de retomar a construção de usinas nucleares, e a Alemanha, que desligou vários reatores e estabeleceu uma data para o fechamento dos demais. Também comenta a situação em outras nações que, recentemente, tomaram decisões desfavoráveis à energia nuclear, como Bélgica, Itália e Suíça.

Segundo o texto, apesar do aumento do sentimento antinuclear após o acidente na central japonesa, a tecnologia nuclear permanece a mais barata e mais eficiente fonte de energia, segundo relatório de julho de 2011 da consultora financeira KPMG. A publicação também cita relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) publicado em novembro que ressalta a importância da energia nuclear para mitigar os efeitos da mudança climática.

Essa edição traz ainda uma nova seção sobre os resíduos nucleares e, em especial, as radiações, buscando tratar de forma acessível conceitos como doses equivalentes, critérios, unidades de medição da radiação e seus efeitos nos seres vivos.

Além disso, aborda temas como acordos comerciais e cooperação nuclear; urânio; combustível irradiado, proliferação e riscos para a segurança; aplicações nucleares e descomissionamento.

Leia a nova edição do Panorama da Energia Nuclear no Mundo. Informe-se!

domingo, 31 de julho de 2011

E o tal do "lixo atômico"?

É comum a expressão "lixo atômico" ser usada para se referir aos resíduos radioativos produzidos pelas usinas nucleares, hospitais e indústrias. Na verdade, resíduo radioativo é
qualquer material resultante de atividades humanas que emitem radiação em quantidades superiores aos limites estabelecidos por normas do governo de cada país e para o qual a reutilização é imprópria ou não prevista.

Esse vídeo produzido pela Eletronuclear, empresa responsável pelas usinas de Angra dos Reis, trata a questão dos resíduos radioativos fazendo algumas comparações bem interessantes:



Os resíduos radioativos são organizados em três classes, segundo o nível de radioatividade que apresentam: de baixa, média e alta atividades. São classificados também em função da meia-vida dos elementos radioativos presentes nos mesmos, como rejeitos de longa e de baixa duração.

Os resíduos de baixa atividade (“Low Level Waste – LLW”) compreendem, principalmente, materiais ligeiramente contaminados como papéis, plásticos, vestimentas e ferramentas. Também são classificados dessa forma a maior parte dos gases e dos líquidos ativados ou contaminados produzidos durante a operação de uma Usina Nuclear. Já os resíduos de média atividade (“Intermediate Level Waste – ILW”) compreendem filtros, resinas e outros materiais que sofreram contaminação.

Atualmente, existem tecnologias seguras para o gerenciamento de resíduos de média e baixa atividades, desde sua coleta até o armazenamento nos depósitos iniciais. No caso do Brasil, os resíduos sólidos de baixa e média atividades são acondicionados em embalagens metálicas, testadas e qualificadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e transferidos para os depósitos iniciais, construídos na própria Central Nuclear de Angra dos Reis (foto à esquerda). Esses depósitos são permanentemente controlados e fiscalizados por técnicos de proteção radiológica e especialistas em segurança da Eletronuclear.

Os resíduos de alta atividade (“High Level Waste – HLW”) têm atividade de vida longa e, como geram quantidades consideráveis de calor (calor de decaimento), necessitam de resfriamento por no mínimo 10 anos. Durante esse período, esses resíduos são mantidos em instalações de armazenamento inicial (piscinas de resfriamento de combustível usado como a de Angra 1 na foto à direita) junto às centrais nucleares que os produziram, obedecendo normas internacionais de segurança. O Brasil é signatário da Convenção Internacional para Gerenciamento Seguro de Rejeitos Radioativos e Combustível Usado, sendo periodicamente auditado pela Agência Internacional de Energia Atômica com base em relatório que bianualmente é encaminhado a essa organização.

Além dos resíduos produzidos pelas usinas nucleares, há aqueles produzidos pela área da saúde e a industrial. A CNEN mantém, armazenadas em seus institutos no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Belo Horizonte, em Goiânia e em Recife, fontes radioativas em desuso, recebidas de clínicas médicas, hospitais, indústrias e centros de pesquisa. O transporte, o tratamento e o armazenamento desses materiais também são realizados seguindo padrões internacionais de segurança recomendados pela Agência Internacional de Energia Atômica.

Como a quantidade de resíduos radioativos produzidos no Brasil é pouca quando comparada à de países que têm uma participação maior da energia nuclear em suas matrizes energéticas (França, Japão e os Estados Unidos, por exemplo), os resíduos que estão estocados nos Depósitos Iniciais da Central Nuclear em Angra e nos da CNEN deverão permanecer onde estão até que seja construído um depósito de longo prazo ou definitivo, cuja responsabilidade de implantação é da CNEN.

Segundo a própria Eletronuclear, o esgotamento da capacidade de armazenamento do Centro de Gerenciamento de Rejeitos da Central Nuclear dar-se-á em 2020, quando, segundo planejamento da CNEN e da Eletronuclear, o depósito definitivo de resíduos radioativos já estará implantado. Para os elementos combustíveis usados, a capacidade das piscinas existentes é até 2021. Entretanto, está em andamento a construção de um depósito inicial de combustível irradiado na Central Nuclear para armazenar os combustíveis irradiados que hoje estão nas piscinas anexas aos reatores.


O Comitê de Desenvolvimento do Programa Nuclear Brasileiro (CDPNB), criado em julho de 2008 por decreto do Presidente da República, estabeleceu como meta que o Depósito Final de Rejeitos Radioativos de Baixa e Média Atividades (Repositório Nacional) entre em operação em 2018 e que o Depósito Intermediário de Longa Duração para combustível usado, em 2026.

As bases conceituais para a implantação do Repositório Nacional de Rejeitos Radioativos de Média e Baixa Atividades já estão elaboradas e estudos sobre as condições geológicas favoráveis à localização desse repositório estão sendo realizados pela CNEN. O ínicio das obras está previsto para 2014. Cabe destacar que o destino final dos resíduos de baixa e média atividades há muito tempo não constitui um desafio tecnológico apreciável, estando tecnicamente resolvido nos diversos países que possuem parques de geração nucleoelétrica bem maiores que o brasileiro e utilizam a energia nuclear na medicina, na agricultura e na indústria.

É importante esclarecer que os combustíveis usados ainda guardam cerca de 40% de sua capacidade de gerar energia. Por essa razão, alguns países, como França, Japão, Rússia, Índia e China têm como política a reciclagem dos combustíveis irradiados através de reprocessamento e utilização de combustível de óxido misto Urânio-Plutônio (MOX) em reatores do tipo LWR - que usam água leve como refrigerante.

O reprocessamento dos elementos combustíveis visa à separação do material físsil e fértil, principalmente Plutônio e Urânio, dos produtos de fissão, para eventual uso posterior como combustível. O objetivo principal do reprocessamento é reduzir o volume de rejeitos. Sua política é, também, uma ação ecológica que visa a preservar os recursos naturais (jazidas de urânio).

Essencialmente, 95% do combustível usado nada mais é do que urânio, material físsil e, portanto, combustível passível de reciclagem. Dos restantes 5%, cerca de 3% são elementos radioativos que decaem rapidamente e, após um ou dois anos, representam ameaça insignificante. De fato, apenas 2% do material que sai do reator, após transformar massa em energia por cerca de três anos, constituem resíduos radioativo de alta atividade e longo prazo de decaimento. Por conseguinte, soluções definitivas (repositórios eternos) ainda não existem porque até então não são imediatamente necessárias.

No caso brasileiro, a reciclagem de elementos combustíveis usados ainda não é viável nem técnica nem economicamente. Por isso, o Depósito Intermediário de Longa Duração para elementos combustíveis usados será projetado, construído e operado de forma a garantir tecnicamente o armazenamento seguro, isto é, isolado do público e do meio ambiente, do combustível usado pelas usinas nucleares nacionais existentes e a serem implantadas, por período não inferior a 500 anos (!). A seleção do local está prevista para 2016 e o ínicio da construção para 2021.

Essa concepção, que permite a armazenagem com opção de recuperação posterior do combustível, permite esperar responsavelmente a melhor solução técnica e econômica para o destino final dos resíduos de alta atividade, ou a decisão de reciclagem do combustível usado para a geração de energia elétrica, solução que já é praticada por diversos países. Os brasileiros terão assim a tranquilidade de, nos próximos séculos, não sofrerem qualquer efeito negativo decorrente desses resíduos, guardando para as futuras gerações a possibilidade de utilizar esse material como uma fonte de energia adicional.


Para saber mais:

O gerenciamento de rejeitos - Site da Eletronuclear
Rejeitos Radioativos - Site da CNEN

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