Traduzido e adaptado por Pamela Piovezan.
Vários mitos cercam o tema "energia nuclear". Para ajudar a esclarecer alguns desses mitos, a American Nuclear Society, uma organização internacional com cerca de 11.000 membros da área nuclear entre cientistas, engenheiros, educadores e estudantes, preparou uma lista dos 10 mitos mais famosos nos Estados Unidos.
Como isso foi feito antes do acidente de Fukushima, traduzi e adaptei esse material para incluir algumas das consequências do acidente. Claro que cada um dos mitos, por si só, daria um texto imenso sobre o assunto. Por isso, lembre-se, esse post é apenas uma visão geral. Alguns dos temas já apareceram em outros posts aqui do blog e estão indicados no final desse post.
Mito #1. As pessoas recebem a maior parte da dose anual de radiação dos reatores nucleares.

Mito #2: Um reator nuclear pode explodir como uma bomba nuclear.
Fato:É impossível que um reator exploda como uma bomba nuclear. Isso porque as bombas contêm materiais especias em configurações particulares que visam à explosão nuclear. Os reatores nucleares são projetados para que, mesmo no caso dos acidentes mais sérios, a reação em cadeia não se torne descontrolada por tempo suficiente para causar uma explosão nuclear. No caso do acidente de Fukushima, por exemplo, a explosão do prédio do reator foi ocasionada por uma reação química e não pela fissão nuclear descontrolada, como nas bombas atômicas.
Mito #3: A energia nuclear é prejudicial ao meio ambiente.
Fato: Reatores nucleares não emitem gases do efeito estufa durante sua operação. Durante toda a vida útil das usinas, a emissão total de gases do efeito estufa (nas fases de construção, do ciclo do combustível e do desaparelhamento da usina) é comparável à emissão de fontes renováveis de energia como a solar e a eólica [3]. Além disso, as usinas nucleares ocupam uma área menor de solo que as demais fontes energéticas para gerar a mesma quantidade de energia.
Mito #4: Energia nuclear não é segura.

Mito #5: Não existe nenhuma solução para a grande quantidade de lixo nuclear que está sendo gerado.

Mito #6: A maioria dos norte-americanos não apóiam a energia nuclear.

Mito # 7: Um "Chernobil" brasileiro mataria milhares de pessoas.

Mito #8: O lixo radioativo não pode ser transportado de forma segura.
Fato: O combustível usado vem sendo transportado de forma segura nos Estados Unidos por caminhões, trens e navios cargueiros em cascos especialmente feitos pra isso. Estes cascos são testados contra vários tipos de batidas e incêndios, sobrevivendo intactos, sem liberar radioatividade. Milhares de cargas já foram transportadas sem vazamentos ou fraturas em tais cascos [10].
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"Crash test" com uma locomotiva de um casco para transporte de material radioativo. O casco (vermelho) permanece inteiro após o impacto. Fonte: The Canadian Nuclear FAQ. |
Mito #9: O combustível nuclear usado é mortal por 10.000 anos.
Fato: O combustível nuclear usado pode ser reciclado para fazer novos combustíveis ou subprodutos [11]. A maior parte dos rejeitos produzidos neste processo requer um tempo de armazenamento menor que 300 anos para que a atividade caia até níveis não prejudiciais à saúde. Menos de 1% desses rejeitos são radioativos por 10.000 anos e precisam ser armazenados indefinidamente (nos depósitos geológicos, por exemplo).
Para saber mais:
[1] National Council on Radiation Protection and Measurements No. 92 and 95.
[2] CDR Handbook on Radiation Measurement and Protection.
[3] P.J. Meier, "Life-Cycle Assessment of Electricity Generation Systems and Applications for Climate Change Policy Analysis," 2002.
[4] Comparing Nuclear Accident Risks with Those from Other Energy Sources, NEA, 2010.
[5] K.S. Krane, Introductory Nuclear Physics, John Wiley and Sons, 1988.
[6] Progress Towards Geologic Disposal of Radioactive Waste: Where do We Stand?, Nuclear Energy Agency, OECD report, 1999.
[7] Perspectives on Public Opinion, NEI publication, June 2008.
[8] Latest Trends in U.S. Public Opinion About Nuclear Energy, NEI, Sept. 2011.
[9] Chernobyl Forum reports 20-year findings, offers recommendations, Nuclear News, Oct-05.
[10] DOE Fact Shee.
[11] K.S. Krane, Introductory Nuclear Physics, John Wiley and Sons, 1988.
The Nuclear Energu Opinion, Bernard Cohen, 1990.
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